Sócrates acusa sindicatos
de terem cortado o diálogo
Interrogado sobre a actual situação de ruptura de diálogo entre sindicatos e Governo, o primeiro-ministro responsabilizou os sindicatos.
"Essa conversa acabou por parte dos sindicatos, não pela nossa parte. Esse é um julgamento que os portugueses farão", advertiu.
Neste contexto, Sócrates disse que, após a manifestação nacional de professores de Março, o Governo se disponibilizou para dialogar e negociar, processo que se concluiu "com um acordo, um memorando de entendimento".
"A expectativa é que o memorando de entendimento fosse cumprido, mas, infelizmente, os sindicatos rasgaram-no e disseram que não o pretendiam cumprir", sustentou, antes de deixar novo aviso:
"Se os sindicatos agora também dizem que não querem negociar, isso é com os sindicatos. A disponibilidade do Governo é para dialogar, para ouvir e para melhorar o que deve ser melhorado", sublinhou.
Nas declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro também se referiu à ideia avançada segunda-feira pelo dirigente socialista António Vitorino, na RTP, em que sugeriu a criação de um conselho de sábios para se aferir a experiência resultante do processo de avaliação.
António Vitorino, segundo a interpretação de José Sócrates, "sugeriu aquilo que já estava no memorando de entendimento" assinado entre o Governo e os sindicatos dos professores em relação ao sistema de avaliação.
"Após a aplicação do processo de avaliação, deveria haver uma aferição da própria avaliação, tendo em vista melhorar os aspectos que correram menos bem. Esse relatório feito por especialistas pode e deverá ser feito", frisou o primeiro-ministro, ainda em referência à ideia avançada por António Vitorino.