terça-feira, 18 de novembro de 2008          
 
    O primeiro-ministro declarou hoje que a avaliação dos professores é para manter, mas que será "sensível às críticas" sobre burocracia e carga de trabalho inerente ao sistema, procurando melhorá-lo através do diálogo com "todos os sectores".
    As posições de José Sócrates foram assumidas após ter visitado e discursado na exposição "Portugal Tecnológico 2008", no Parque das Nações.
    Em declarações aos jornalistas, José Sócrates frisou que "a ministra da Educação [Maria de Lurdes Rodrigues] está neste momento num processo de diálogo são com várias individualidades ligadas ao sector educativo - pessoas que estão a fazer a avaliação no terreno (nas escolas), para identificar os problemas e para tentarmos minorar esses mesmos problemas", disse.

    O primeiro-ministro garantiu depois que o objectivo do Governo é melhorar "os aspectos que porventura estejam a correr menos bem" no processo de avaliação.

    "Somos sensíveis às críticas que fomos ouvindo sobre burocracia, mas também no que diz respeito ao trabalho nas escolas. Vamos procurar ouvir todos os sectores para melhorarmos tudo aquilo que possa ser melhorado, mas a avaliação é para continuar e tem de ser feita", frisou.

    Reagindo à ideia de alguns docentes que consideram já ter sido avaliados no passado, ao longo da sua carreira profissional, Sócrates soltou um sonoro "francamente!"

    "O que existia no passado não era propriamente uma avaliação, sendo antes, na prática, uma progressão automática nas carreiras. Esse sistema tem de ser posto de lado. Temos de ter um sistema que distinga os professores, porque essa é a melhor garantia que podemos dar às famílias no sentido de que valorizamos os melhores professores", argumentou.

Sócrates acusa sindicatos
de terem cortado o diálogo

    Interrogado sobre a actual situação de ruptura de diálogo entre sindicatos e Governo, o primeiro-ministro responsabilizou os sindicatos.

    "Essa conversa acabou por parte dos sindicatos, não pela nossa parte. Esse é um julgamento que os portugueses farão", advertiu.

    Neste contexto, Sócrates disse que, após a manifestação nacional de professores de Março, o Governo se disponibilizou para dialogar e negociar, processo que se concluiu "com um acordo, um memorando de entendimento".

    "A expectativa é que o memorando de entendimento fosse cumprido, mas, infelizmente, os sindicatos rasgaram-no e disseram que não o pretendiam cumprir", sustentou, antes de deixar novo aviso:

    "Se os sindicatos agora também dizem que não querem negociar, isso é com os sindicatos. A disponibilidade do Governo é para dialogar, para ouvir e para melhorar o que deve ser melhorado", sublinhou.

    Nas declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro também se referiu à ideia avançada segunda-feira pelo dirigente socialista António Vitorino, na RTP, em que sugeriu a criação de um conselho de sábios para se aferir a experiência resultante do processo de avaliação.

    António Vitorino, segundo a interpretação de José Sócrates, "sugeriu aquilo que já estava no memorando de entendimento" assinado entre o Governo e os sindicatos dos professores em relação ao sistema de avaliação.

    "Após a aplicação do processo de avaliação, deveria haver uma aferição da própria avaliação, tendo em vista melhorar os aspectos que correram menos bem. Esse relatório feito por especialistas pode e deverá ser feito", frisou o primeiro-ministro, ainda em referência à ideia avançada por António Vitorino.
 
 
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EDUCAÇÃO: Sócrates diz que Governo é "sensível" às críticas e quer dialogar com "todos os sectores"