A Casa do Douro (CD), criada em 1932 para intervir na regulação do mercado dos vinhos, possui uma dívida de cerca de 100 milhões de euros para com o Estado e duas instituições bancárias.
Nas últimas décadas, a instituição, representativa de 35 mil viticultores, perdeu competências, deixou de regular o mercado, de poder escoar os vinhos, acumulou uma dívida que actualmente atinge os cerca de 100 milhões de euros, e vive num constante “clima de conflito” com o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).
As dificuldades financeiras do organismo duriense acentuaram-se a partir de 1990, altura em que a CD entrou no capital da Real Companhia Velha (RCV).
Em 1997, o Estado avalizou um empréstimo concedido por um consórcio bancário liderado pela Caixa Geral de Depósitos à CD no valor de cerca de 85 milhões de euros.
Em Junho, o Estado recorreu ao tribunal para executar o penhor sobre os vinhos da Casa do Douro correspondentes a 53,5 milhões de euros assumidos por falta de pagamento da instituição duriense à banca.
Entretanto, a conclusão do negócio anunciado pela instituição em Janeiro com a Global Wines, que pertence à Dão Sul - Sociedade Vitivinícola, com vista à venda de 51 por cento do capital detido na RCV e que permitiria pagar cerca de 20 milhões de euros ao Estado, vai sendo consecutivamente adiada.
A Casa do Douro aguarda ainda o desfecho de três acções judiciais, interpostas no Tribunal Administrativo de Mirandela contra o IVDP, relativamente ao cadastro, ao atraso no pagamento das prestações semestrais relativas a este serviço por parte do organismo público e, por fim, por causa da recondução do actual presidente do IVDP, Jorge Monteiro.
A direcção da Casa do Douro será disputada após as vindimas, em Outubro ou Novembro, sendo o primeiro candidato assumido o jornalista e viticultor Pedro Garcias.