O reforço do sector dos serviços na economia portuguesa, a chegada das mulheres ao mercado de trabalho e a subida dos salários são três dos principais elementos que marcam a diferença entre o Portugal de hoje e de 1974.
No início da década de 70 do século passado, a maioria da população empregada já estava no sector terciário (36 por cento), mas a agricultura ainda empregava 30 por cento da população.
Actualmente, o sector terciário dá trabalho a 60 por cento da população e a agricultura emprega apenas 5 por cento.
Além das alterações nos sectores dominantes da economia, o mercado de trabalho sofreu transformações. Se hoje o desemprego é uma preocupação dos governos, com taxas aos 7,6 por cento, como aconteceu no ano passado, em 1974, o número de desempregados na população activa era de apenas 2,1 por cento.
De lá para cá, as mulheres entraram em força no mercado de trabalho, representando no ano passado 48 por cento da população, contra 19 por cento em 1974.
A abertura da economia ao exterior, a entrada de Portugal para a Comunidade Económica Europeia (CEE), foi acompanhada de um aumento dos ordenados. Em 1985, dado mais antigo publicado pelo INE e 11 anos depois do 25 de Abril de 1974, a remuneração média em Portugal era de 150 euros. Em Outubro de 2008, a remuneração do sector privado ultrapassava os 800 euros.
Com rendimentos mais elevados, os portugueses começaram a abdicar da poupança e a optar pelo consumo. A taxa de poupança caiu de 23 por cento, em 1974, para 6,2 por cento em 2008.
A subida pelo consumo foi acompanhada de uma alteração nos padrões de despesa. No ano da revolução dos cravos, as despesas com bens alimentares pesava 45 por cento dos orçamentos familiares, um gasto que representava 21,5 por cento, em 2000.
Portugal tinha em 1974 uma taxa de inflação acima de 20 por cento, marcando em 2008 uma taxa de 2,6 por cento, a resvalar para uma inflação negativa de 0,2 por cento este ano, prevê o Banco de Portugal.
No ano em que o 25 de Abril de 1974 faz 35 anos, a economia portuguesa arrisca uma queda do PIB de 3,5 por cento, sendo preciso recuar aos anos da revolução para econtrar paralelo. No entanto, precisamente em 1974, o PIB subiu 2,9 por cento.
Em matéria orçamental, Portugal apresentava um défice público de um por cento do PIB, preparando-se em 2009 para derrapar para os 3,9 por cento. A dívida pública marcava no ano da revolução os 15 por cento do PIB e arrisca em 2009 chegar aos 70 por cento.
Apesar das melhorias na qualidade de vida dos portugueses, a convergência com os níveis de vida da média europeia é ainda um caminho a percorrer, já que desde 2001, Portugal cresce abaixo da média europeia.
Ao contrário do que se passava na altura da revolução dos cravos, as contas públicas obdecem hoje a regras da União Europeia, enquadradas no Pacto de Estabilidade e Crescimento, que limitam o défice a 3 por cento do PIB e a dívida pública a 60 por cento.
MMO.