Responsáveis de stands automóveis de todo o país reportaram hoje à Lusa "decréscimos acentuados" nas vendas nos últimos meses, na ordem dos 20 a 50 por cento, atribuídos sobretudo à cada vez mais difícil obtenção de crédito bancário.
"As pessoas já não tinham dinheiro, mas tinham crédito. Agora nem isso, porque tem havido um corte radical por parte de todas as financeiras e bancos e, créditos que até há pouco seria impensável serem recusados, são-no", afirmou o gerente da AMCCar, do Porto.
Segundo afirmou à agência Lusa Adriel Cabral, "o negócio tem corrido muito mal" e, se as vendas nos primeiros cinco meses do ano "até foram boas", tendo por base o padrão dos últimos anos, "desde Junho baixaram drasticamente".
"Tenho uma quebra de mais de 50 por cento em todos os segmentos", afirmou o responsável do stand de usados, para quem a situação foi desencadeada pelo aumento do preço dos combustíveis e, entretanto, agravada pela falta de crédito.
"Agora só compra quem tem dinheiro e são poucos os que o têm", disse.
De acordo com Adriel Cabral, actualmente a decisão de compra de um carro novo é adiada o mais possível e "as pessoas acabam por reparar o veículo antigo para ver se aguenta mais um ano".
Na A. R. Automóveis, de Leiria, já houve casos em que particulares apresentaram para venda os seus automóveis para posteriormente adquirirem um de valor inferior, realizando dinheiro com o negócio.
"O decréscimo das vendas está a ser acentuado já de há meses largos para cá", afirmou à Lusa Armando Reis, daquele stand de automóveis novos e usados, acrescentando que o mês de Novembro "está a ser péssimo em todos os segmentos".
Segundo referiu, "não há pessoas para possíveis negócios e os poucos que se conseguem são a crédito, sendo que os créditos são cada vez mais recusados".
Já Pedro Almeida, da Alfaguima, de Braga, afirma que as vendas se têm "degradado bastante", mas sustenta que os clientes que vão surgindo "vêm com a ideia de pagar a pronto".
"Só mesmo quem tem dinheiro é que compra, porque o crédito deixou de existir. E estão a recorrer a carros o mais barato possível, de preferência até 8.000 euros", refere.
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