Um mês depois do autocarro ter substituído o comboio nas Linhas do Corgo e do Tâmega, os passageiros queixam-se mais das estradas estreitas e sinuosas mas já há quem sinta saudades do transporte ferroviário que até servia de relógio.
A circulação ferroviária nas Linhas do Corgo e Tâmega foi suspensa a 25 de Março por razões de segurança. Prometidas estão já obras de requalificação com vista à reabertura daquelas linhas até Setembro de 2010.
A maior parte dos passageiros do Corgo são idosos e estudantes que se deslocam para Vila Real ou o Peso da Régua e é nos dias de feira que o autocarro fica lotado.
O presidente da Junta de Freguesia de Ermida (Vila Real), José Borges, disse à Agência Lusa que, para já, as "pessoas estão satisfeitas com o transporte rodoviário".
Os horários mantiveram-se os mesmos cumpridos pelo comboio, cinco viagens para a Régua e outras cinco de regresso a Vila Real.
No entanto, José Borges ressalvou que, a partir de Setembro, com o início das vindimas e consequente aumento do trânsito de veículos pesados, e com as geadas de Inverno, "a situação vai ser mais complicado".
É que, segundo o estudante Luís Martins, "em algumas curvas não passam ao mesmo tempo o autocarro e outro carro".
"O autocarro está a cumprir, mas tem de ser apenas um transporte temporário. Claro que nos causa algum transtorno na medida em que a estrada é muito estreita", afirmou por sua vez o presidente da Junta de Alvações do Corgo (Santa Marta de Penaguião), Manuel Liberato.
Francisco Pinto Júnior, residente em Alvações do Corgo, foi ferroviário durante 38 anos e olha já com saudade para os carris vazios da Linha do Corgo.
"Cada vez que venho ao médico a Vila Real é no comboio, quer dizer, agora tem que ser no autocarro. O transporte mais seguro é o comboio, disso não tenho qualquer dúvida", salientou.
António Cabral, também de Alvações do Corgo, observa a estrada e explica: "é só curva e contra curva".
A brasileira Maria Santos foi viver para Penelas há cinco anos e desde então sempre se deslocou à cidade de Vila Real de comboio.
No entanto, agora diz que o autocarro é mais "conveniente" porque pára mais perto da sua casa.
Outras das queixas apontadas pelos passageiros é a "inexistência" de uma paragem em frente à estação. O autocarro quando chega pára em segunda fila e deixa os passageiros praticamente no meio da estrada.
"Quando chove vamos para dentro da estação, que agora está completamente vazia, enquanto esperamos pela hora da partida", salientou Maria Henriqueta Martins, suspirando pelo regresso do comboio à linha até porque era por ele que se regulava.
"Nem precisávamos de relógio. Quando ele passava já sabíamos que horas eram", salientou a idosa.
Autarcas e população local dizem acreditar nas promessas do Governo de que as vias vão mesmo sofrer obras de requalificação com vista à sua reabertura.
"Já está a ser feita alguma coisa. Já vemos os homens da REFER pela linha", frisou o autarca Manuel Liberato. A empresa está a proceder a uma intervenção que tem em vista a drenagem das águas e limpeza de taludes.
Mas, apesar das garantias os passageiros da Linha do Corgo prometem estar atentos. É que ali, mesmo ao lado, o comboio que ligava Vila Real a Chaves já não passa nos carris que foram transformados em jardins, hortas ou até em lugares de estacionamento.