sábado, 5 de julho de 2008          
 
    Oito voluntários ingleses aproveitaram as suas férias para virem trabalhar no Parque Natural do Alvão (PNA), em Vila Real, ajudando na conservação da borboleta azul, uma espécie ameaçada que possui colónias apenas no Alvão e Barroso.
    Os voluntários, que pertencem à BTCV - uma associação inglesa de voluntariado para a conservação da natureza, chegaram ao Alvão no dia 25 de Junho, permanecendo neste parque natural até sábado.
    O PNA é o único campo de acção da BTCV em Portugal, recebendo voluntários há 14 anos consecutivos.
 
    Duarte Figueiredo, director do Departamento de Áreas Classificadas do Norte, considerou o programa como “estratégico e extremamente importante”, permitindo divulgar o PNA junto de um público “motivado para o turismo natural”, como são estes voluntários internacionais.
 
    Steffi Lotz é a guia do grupo que trocou umas férias na praia para vir trabalhar para o Alvão onde já sinalizaram trilhos, recuperaram muros e limparam o lameiro que acolhe a maior colónia portuguesa da borboleta azul.
 
    “O trabalho tem sido muito variado e recompensador. E temos ainda a oportunidade de conhecer a cultura local e passear por locais como a cidade de Vila Real ou o rio Douro”, salientou a responsável.
 
    O lepidóptero Maculinea alcon, vulgarmente conhecido como Borboleta Azul, é uma espécie que se encontra ameaçada em muitos países do Centro e Norte da Europa.
 
    Trata-se um de lepidóptero bastante frágil e com baixa tolerância a variações no ecossistema, necessitando de condições ecológicas específicas.
 
    Necessita designadamente da presença da sua planta hospedeira, a gencian (Gentiana pneumonanthe), onde coloca os ovos, assim como da formiga do género Myrmica que a alimenta no seu formigueiro durante as últimas fases larvares.
 
    O grupo de voluntários removeu precisamente o tojo no lameiro, junto a Lamas d’Olo, para que a planta genciana (Gentiana pneumonanthe) possa crescer e assim possa ser completado o ciclo da borboleta azul.
 
    “É um trabalho útil de gestão deste espaço natural e que tem real impacto e retorno em termos do seu melhoramento”, salientou Duarte Figueiredo.
 
    As maiores ameaças para esta espécie são o homem e o gado, que destroem os lameiros onde cresce a genciana.
 
    Visivelmente satisfeito com o trabalho desempenhado estava Ray Sidway, 61 anos, que lamenta apenas ainda não ter tido tempo para observar aves, a sua grande paixão.
 
    O voluntário inglês está reformado e, na sua terra natal, é um dos responsáveis pela conservação de um antigo bosque.
 
    Por isso mesmo, diz que está no Alvão também para aprender novas técnicas para a conservação da natureza.
 
    Ray Sidway já não é novo nas andanças do voluntariado, tendo estado há dois anos na Albânia, onde também trabalhou na área do ambiente.
 
    O ex-professor salienta ainda a importância de “ter uma coisa completamente nova para fazer depois de ser reformado”.
 
    A maior parte dos reformados que anualmente chega ao Alvão possui mais de 30 anos e dedica-se aos mais diversos sectores de actividade.
 
    Duarte Figueiredo considerou que os portugueses não estão tão motivados para o voluntariado e acrescentou que, a nível nacional, o voluntário se centra essencialmente para grupos já organizados, nomeadamente os escuteiros.
 
    A BTCV possui mais de 50 anos e, entre Abril de 1005 e hoje, já trabalhou com 686 mil voluntários.
 
 
    [Fotos de PNA e Humberto Gracio]
 
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VILA REAL: Voluntários ingleses no Alvão ajudam a proteger borboleta ameaçada