O município de Baião, que regista dos mais baixos índices de escolaridade do distrito do Porto, vai manter o programa "Escola em Casa", iniciado em 2007, que visa fomentar as conversas familiares sobre matérias educativas.
Este programa que procura inverter o actual panorama educativo deverá, este ano, sofrer "algumas alterações" nos manuais, nomeadamente ao nível da linguagem.
"É conveniente simplificar algumas das temáticas e adaptar a linguagem à realidade do município", afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da autarquia.
Para estimular o diálogo familiar e envolver mais os encarregados de educação na vida escolar, os responsáveis pelo projecto criaram guiões, com textos, seguidos de perguntas, que os jovens levam para casa para responderem com os pais.
"O balanço é muito positivo, porque os alunos, as suas famílias e até os seus vizinhos participaram de forma activa e criativa", sublinhou José Luís Carneiro.
O programa é dinamizado pela Universidade de Aveiro e coordenado pelo antigo reitor daquela universidade e actual presidente do Conselho Nacional de Educação, Júlio Pedrosa.
O objectivo considera-se conseguido quando questões à volta da escola monopolizem pelo menos meia hora diária de conversa familiar.
Em Baião, o tema que motivou maior interesse foi o relacionado com a ocupação dos tempos livres, comparando a realidade actual com a dos pais e dos avós dos alunos.
Neste município, o programa arrancou no Agrupamento de Escolas do Vale de Ovil, com cerca de 200 alunos do 4/o, 5/o e 6/o anos de escolaridade.
Em declarações à Lusa, o presidente do agrupamento, Carlos Alberto Carvalho, congratulou-se com o facto de se ter conseguido "despertar a curiosidade e o interesse dos pais e dos alunos para os temas propostos e, assim, melhorar a relação escola/família".
"Este era o principal objectivo e foi alcançado, apesar de nos termos confrontado com algumas dificuldades, típicas de um meio rural, que iremos tentar corrigir" nos novos guiões, disse.
Segundo este responsável, contrariamente ao que aconteceu no ano lectivo anterior, os guiões serão agora elaborados pelos professores da escola envolvidos no projecto e não pela equipa da Universidade de Aveiro.
Face aos resultados obtidos no agrupamento de Vale de Ovil, o presidente da autarquia pretende alargá-lo aos outros dois agrupamentos escolares do concelho.
"Criamos as condições logísticas para que isso possa ocorrer, mas até ao momento ainda não obtivemos a confirmação do seu interesse", disse.
O objectivo é contrariar os dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), segundo os quais metade dos estudantes de Baião não terminam o nono ano de escolaridade, 67 por cento não conseguem o 12/o ano e 10 por cento da população é analfabeta.
O projecto visa também contribuir para alterar este panorama, uma vez que de acordo com um estudo da Universidade de Aveiro, uma das razões para o insucesso educativo relaciona-se com "o nível das conversas familiares".
"Pretendemos, assim, que os pais percebam e participem mais na escola e que a escola se abra e interaja com a comunidade", frisou.