segunda-feira, 8 de outubro de 2007          
 
Amarante é o único município da bacia hidrográfica do Tâmega que contesta a construção de uma barragem no seu território e consequentemente não aplaudiu o plano nacional de barragens apresentado na semana finda pelo Governo. Câmara e Assembleia Municipal já aprovaram moções que contestam o plano do Governo de construir a barragem de Fridão, sobretudo por temer-se que a construção daquele equipamento venha trazer ao debate a alteração da cota de exploração da barragem do Torrão, no troço final do rio Tâmega e a juzante da cidade de Amarante.
A luta travada por Amarante desde 1988 (ano em que o Torrão iniciou a produção de energia) contra a exploração da barragem à cota 65 – que teria como consequência a inundação das margens do rio e outras zonas ribeirinhas, bem como a Ínsula [Ínsua] dos Frades, pequena ilhota entre as duas pontes da cidade – pode voltar à ordem do dia e é isso que os dois órgãos autárquicos de Amarante e com toda a certeza a esmagadora maioria da sua população não desejam.
 
Armindo Abreu: Oposição frontal ao projecto do Governo socialista
de construir Fridão
 
O presidente da câmara de Amarante, Armindo Abreu, já manifestou a sua intenção de lutar contra a barragem, processo que é visto como a “prova de fogo” do autarca socialista.
Armindo Abreu refere que se "opõe frontalmente ao projecto do Governo" e recorda que os órgãos autárquicos – Câmara e Assembleia Municipal – sempre se opuseram ao empreendimento.
"Não queremos a barragem", diz, peremptório, o autarca socialista, confrontado com o interesse do governo em avançar com  diversos empreendimentos hidroeléctricos, nomeadamente os cinco anunciados para a bacia do Tâmega.
 
[Uma antevisão de Amarante no pós-barragens; imagem recolhida na cheia de 2002, a uma cota próxima de 65, o valor de projecto da albufeira do Torrão]
 
 
Em declarações há duas semanas ao Marão Online, o autarca considerou "que uma albufeira, com águas paradas, só viria desequilibrar o ambiente na cidade, além de destruir o património paisagístico de Amarante".
Lembra ainda a degradação da água, por ficar estagnada, sem corrente, e até o perigo de a cidade ficar com um enorme depósito de água, a escassos 12 quilómetros a montante.
Recorde-se que o armazenamento total de água em Fridão – cerca de 200 mil milhões de metros cúbicos de água, segundo os estudos preliminares do empreendimento – é mais do dobro do que armazena actualmente a barragem do Torrão.
Na quinta-feira, em declarações às rádios Renascença e TSF, Armindo Abreu reafirmou que Amarante não quer a barragem e que tudo fará para lutar contra o projecto.
A Assembleia Municipal, com todos os partidos de acordo, à excepção de um deputado do movimento de apoio a Ferreira Torres, também aprovou há alguns dias uma moção contra a construção da barragem.
Entretanto, o autarca disse recentemente ao Marão Online que já expôs a situação a vários deputados socialistas e também ao ex-presidente da câmara de Amarante, Francisco Assis, dando-lhes conta que se os governantes socialistas decidirem avançar com o projecto vão ter pela frente a oposição de uma população inteira e porventura da região do Baixo Tâmega.
Armindo Abreu não descarta a hipótese de envolver o Presidente da República nesta luta contra a barragem, se o Governo insistir na sua construção, mas mantém a esperança de que as intenções governamentais sejam travadas durante a realização do necessário estudo de impacte ambiental específico para a barragem de Fridão.
Recorde-se que o plano nacional de barragens agora apresentado estará em inquérito público durante 30 dias, mas esta consulta pública não dispensará que cada projecto hidroeléctrico seja objecto de um EIA (Estudo de Impacte Ambiental) autónomo, como esclareceu na semana passada o ministro do Ambiente, Nunes Correia.
 
Outras barragens no Tâmega recebem aplausos
 
Os dois municípios de Basto localizados na área da eventual albufeira da barragem de Fridão não se pronunciaram nestes últimos dias sobre o plano do Governo, mas é provável que não coloquem objecções.
De facto, quer Celorico de Basto quer Mondim de Basto não devem sofrer impactes negativos de monta – além dos ambientais, nomeadamente devido à alteração do clima gerada pela enorme massa de água a criar pela albufeira – uma vez que o rio Tâmega não atravessa aglomerados urbanos importantes e até passa bastante desviado das sedes dos dois concelhos.
Bem diferente é a posição das comunidades situadas no troço inicial do rio, em território nacional, uma vez que o Tâmega nasce em Espanha, perto de Ourense.
Os autarcas e empresários do Alto Tâmega já aplaudiram a construção de barragens nos seus territórios, como o Marão Online noticiou, nomeadamente acerca dos empreendimentos de Vidago e Padrozelos.
Também o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias, considera que a barragem de Gouvães ajudará a assegurar o regadio aos agricultores do Vale de Aguiar.A barragem de Gouvães integra o Plano Nacional de Barragens e é uma das quatro barragens a construir na região do Alto Tâmega, sendo as outras em Vidago, Daivões e Padrozelos.
Por seu turno, o presidente social-democrata da Câmara de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, também considerou que a construção da barragem de Daivões representa uma "mais valia" para o seu concelho.
Agostinho Pinto disse que no local onde vai ficar localizada a barragem de Daivões já estava prevista a construção de uma mini-hídrica.
Além da produção de energia, o autarca diz que o empreendimento vai ajudar a criar novos postos de trabalho e quanto aos impactos ambientais, sublinha que "não serão muito significativos".
O presidente da Câmara de Chaves, João Baptista, também já se pronunciou sobre a barragem de Vidago, localidade mais conhecida pela sua estância termal, afirmando que o lençol de água provocado pela barragem "não vai afectar as localidades de Chaves ou Vidago".
Do mesmo modo, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Campos, afirmou que a barragem de Padrozelos, a construir no rio Beça, representa uma "oportunidade" que o seu município "não deixará de explorar".
A barragem de Padrozelos anunciada pelo Governo vai ser construída entre os concelhos de Boticas e Ribeira de Pena.  Para Fernando Campos, as "mais valias" provenientes deste empreendimento "são muito significativas".
 
 
 
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BARRAGENS: Apenas Amarante contesta a construção de aproveitamentos hidroeléctricos no rio Tâmega