MARÃO Online
 
segunda-feira, 17 de setembro de 2007          
 
A ameaça de a paisagem e as margens de Amarante desaparecerem com a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo a de Fridão e a elevação da cota da do Torrão, é cada vez mais real. Agora, para surpresa de muitos, é o próprio ministro do Ambiente que vem confirmar o pior cenário, já noticiado na semana passada pelo Marão Online – a barragem de Fridão será a primeira a construir no curso do rio Tâmega.
 
O Plano Nacional de Barragens deverá ser apresentado, se tudo correr como previsto, nesta segunda quinzena de Setembro, mas o ministro do Ambiente, Nunes Correia, veio confirmar hoje, em declarações ao Diário de Notícias, que Foz Tua (já praticamente decidida e quase sem contestação), Fridão e Vidago são as barragens que constam no topo das prioridades.
Ainda segundo as declarações de Nunes Correia, os três projectos hidroeléctricos representam, no seu conjunto, 487 megawatts, cerca de 10% da actual potência hídrica instalada no país.
O ministro disse ao jornal que as três localizações foram consideradas as melhores numa lista de 20, em termos de avaliação ambiental e do ponto de vista estratégico.
"A avaliação, que partiu de 27 locais há muito conhecidos por entidades que se dedicam ao planeamento hidráulico, assentou em critérios de viabilidade em termos ambientais, mas também mérito do ponto de vista energético daquelas localizações e o seu valor para outras eventuais utilizações, nomeadamente para fins múltiplos", adiantou o ministro ao DN.
Nunes Correia adianta que o Plano Nacional de Barragens vai estar em consulta pública durante um mês.
 
A prova de fogo do autarca socialista de Amarante
 
O presidente da câmara de Amarante já manifestou a sua intenção de lutar contra a barragem, já vista como a “prova de fogo” do autarca socialista.
Armindo Abreu refere que se "opõe frontalmente ao projecto da EDP" e recorda que os órgãos autárquicos – Câmara e Assembleia Municipal – sempre se opuseram ao empreendimento.
"Não queremos a barragem", diz, peremptório, o autarca socialista, confrontado com o interesse do governo em avançar com  diversos empreendimentos hidroeléctricos, nomeadamente os da bacia do Tâmega.
[Uma antevisão de Amarante no pós-barragens; imagem recolhida na cheia de 2002, a uma cota próxima de 65, o valor de projecto da albufeira do Torrão]
 
 
O autarca considera "que uma albufeira, com águas paradas, só viria desequilibrar o ambiente na cidade, além de destruir o património paisagístico de Amarante".
Lembra ainda a degradação da água, por ficar estagnada, sem corrente, e até o perigo de a cidade ficar com um enorme depósito de água, a escassos 12 quilómetros a montante.
Recorde-se que o armazenamento total de água em Fridão – 200 mil milhões de metros cúbicos de água, segundo os estudos preliminares do empreendimento – é mais do dobro do que armazena actualmente a barragem do Torrão.
 
Câmara e partidos unidos contra o projecto
 
O assunto foi abordado na reunião camarária de há uma semana e ficou demonstrado que neste capítulo poder e oposição estão do mesmo lado. Questionado sobre o que sabia do projecto da EDP pelo vereador Amadeu Magalhães (PSD), Armindo Abreu deixou vincada a sua oposição do empreendimento e foi muito claro: "Se tivermos de opor-nos ao Governo [PS, tal como a presidência da autarquia] fá-lo-emos".
Os vereadores do Movimento Amar Amarante presentes na reunião manifestaram também a sua oposição ao projecto de Fridão, mas até ao momento não se conhece a posição de Avelino Ferreira Torres que, na última reunião, foi substituído por Moura e Silva.
O PSD também se manifestou contrário à intenção do Governo e está disposto a mobilizar a opinião pública contra a barragem.
O mesmo se passa com o Bloco de Esquerda. Hugo Silva disse hoje ao Marão Online que é "absolutamente contra" a barragem, pelas perdas que a sua construção acarreta para a cidade, seja no domínio patrimonial, ambiental ou paisagístico.
 
Mobilizar população, deputados e ambientalistas
 
O dirigente do BE prometeu ainda mobilizar os deputados do seu partido na Assembleia da República para lutarem no Parlamento contra a construção do empreendimento que, reconhece, destruiria a actual paisagem de Amarante.
Do mesmo modo se espera que as associações ambientalistas se mobilizem e criem uma plataforma contra o empreendimento, a exemplo do que foi feito no rio Sabor, embora sem sucesso neste caso, ao terem conseguido levar o assunto a Bruxelas e ao Parlamento Europeu.
"Somos fiéis às posições tomadas pela CM e AM e manteremos a força contra a barragem. Do ponto de vista ambiental e equilíbrio patrimonial da cidade é uma desgraça. Era acabar com Amarante", salientou Armindo Abreu, na referida reunião do executivo municipal.
Entretanto, o autarca disse nesta segunda-feira ao Marão Online que já expôs a situação a vários deputados socialistas e também ao ex-presidente da câmara de Amarante, Francisco Assis, dando-lhes conta que se decidirem avançar com o projecto vão ter pela frente a oposição de uma população inteira e porventura da região.
Armindo Abreu não descarta a hipótese de envolver o Presidente da República nesta luta contra a barragem, se o Governo insistir na sua construção, mas mantém a esperança de que as intenções governamentais e da EDP sejam travadas durante a realização do necessário estudo de impacte ambiental específico para a barragem de Fridão, mesmo tendo em conta as “preocupantes” declarações do ministro do Ambiente agora conhecidas.
 
 
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FRIDÃO/BARRAGEM: Ministro Ambiente apoia, cresce ameaça a Amarante