Duas aves de rapina foram devolvidas ao mundo selvagem na zona do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), em Figueira de Castelo Rodrigo, numa iniciativa do Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS).
Depois de uma acção de educação ambiental com a Escola Básica 1 e o Jardim de Infância da Vermeosa, uma Águia-de-Asa-Redonda (Buteo buteo), foi baptizada com o nome daquela aldeia e devolvida ao seu habitat natural pelas crianças, no Prado dos Vales, naquela freguesia.
Já no Santuário de Santo André das Arribas, junto ao Águeda em Almofala, foi libertado um grifo (Gyps fulvus) de grande porte, recolhido no passado mês de Janeiro, por um vigilante da natureza do PNDI, com a suspeita de intoxicação “por consumo de carcaças ilegalmente envenenadas”, afirma o Centro.
O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) desde 2006, e tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitantes
Em Portugal existem três destes centros, tutelados pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biologia (ICNB), ligados aos parques naturais do Gerês, Serra da Estrela e Ria Formosa.
Para além destes existem mais sete espalhados pelo país, geridos por universidades e organizações como a QUERCUS, que detém três unidades.
Ricardo Brandão, médico veterinário do CERVAS, recordou à Lusa que “em toda a rede nacional de recuperação de Animais Selvagens, os centros têm vivido com muitas limitações financeiras, apenas com orçamentos para recursos humanos”.
“Vamos sobrevivendo com donativos, patrocínios, apadrinhamentos, e apenas a partir deste ano com um valor da tutela que rondará os 40 mil euros”, afirma Ricardo Brandão, acrescentando que “foi possível, no entanto, organizar 70 acções de educação ambiental/libertação de animais no ano de 2008”.
“Houve um bom trabalho de informação de que estes centros existem e a nível nacional nota-se cada vez mais uma percepção pública para este trabalho e consequente aumento de entregas de animais”, refere o veterinário.
No ano que passou, este centro recebeu 249 animais vivos, representando cerca de 25 por cento dos ingressos de animais na Região Interior, tendo sido recuperados e ou libertados 150 animais.
No CERVAS, 90 por cento dos ingressos de animais selvagens são aves, rasão que sustenta um banco e uma biblioteca de penas (Plumoteca) digital.
Nesta unidade de Gouveia, são desenvolvidos vários programas, como o Programa Antídoto - em Portugal uma plataforma contra o uso ilegal de venenos - constituído por várias entidades públicas e privadas portuguesas e que teve início oficial em Março de 2004.