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sábado, 11 de outubro de 2008          
 
    O escritor Urbano Tavares Rodrigues não pôde estar presente hoje em Penafiel, no colóquio dedicado à sua obra, devido ao seu estado de saúde, tendo-se feito representar pela neta Inês Tavares Rodrigues.
    O autor está a ser homenageado no quadro da iniciativa denominada Escritaria, organizada pela primeira vez pelo município local, em conjunto com a editora Cão Menor.
    Inês Tavares Rodrigues leu um pequeno texto que o avô lhe deu. “Sonhei tanto estar aí”, lamentou-se o escritor, nascido em 1923, em Lisboa, explicando depois que o seu estado de saúde não lhe permitiu viajar até Penafiel, como era sua vontade.

    Um dos presentes no colóquio foi o presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE) que disse que o seu primeiro contacto com a obra de Urbano Tavares Rodrigues ocorreu nos “idos de 60”, através do livro "Bastardos do Sol".

    José Manuel Mendes tornou-se um admirador e “amigo dilecto do escritor”, que considerou “alguém que não se fecha à novidade do mundo” e com “um temperamento verdadeiramente poderoso, que tem dentro e si a capacidade de gerar magia e encantamento”.

    O presidente da APE salientou também que em Urbano Tavares Rodrigues convivem a escrita de intervenção e o fantástico e destacou a “atenção extrema” que o autor de "Fuga Imóvel" foi dando à “produção literária de outras gerações, uma atenção feita de generosidade”.

    “Escrevia inúmeros textos sobre Urbano Tavares Rodrigues, mas nunca escrevia o texto que o Urbano merece”, disse José Manuel Mendes, elogiando a “personalidade ímpar” do homenageado, que também presidiu à APE.

    O colóquio prosseguiu com uma intervenção de Cristina de Almeida Ribeiro sobre algumas características marcantes de um escritor com 56 anos de vida literária, a começar pela sua “grande coerência”.

    Mas há outra característica que esta professora universitária destacou como sendo o que lhe tocou “particularmente” na obra de Urbano Tavares Rodrigues: “A enorme capacidade que ele tem de acompanhar o seu tempo”, notória nas suas várias referências, literárias e outras, “sempre actualizadas”.

    Cristina de Almeida Ribeiro falou também do escritor “empenhado e política e ideologicamente comprometido”. Urbano Tavares Rodrigues é um militante comunista.

    Mas a professora apontou igualmente “alguma irregularidade na sua obra”, visível nos textos produzidos nos anos 70, em que “a sua escrita tornou-se muito mais óbvia”, porque “perdeu a subtileza” anterior, depois restaurada nos anos 80 e seguintes.

    Outra característica que esta estudiosa encontra na obra literária de Urbano Tavares Rodrigues é o “experimentalismo”, visto que, referiu, “em cada novo livro há qualquer coisa a descobrir”.

    Escritaria prossegue nos próximos nove dias, com acções espalhadas pela cidade, em que o autor de "O Insubmisso" é o grande protagonista. Estandartes, cartazes, mupis e outro material promocional encontram-se distribuídos por diversos locais de Penafiel, procurando atrair a atenção da população sobre o escritor.

    A iniciativa conta com o envolvimento da comunidade estudantil penafidelense e do próprio comércio tradicional, havendo “estabelecimentos que exigem fragmentos de livros de Urbano Tavares Rodrigues”, realçou o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Penafiel, Rodrigo Lopes.

    A autarquia pretende “dar uma cadência anual” a Escritaria, sempre com o mesmo objectivo: distinguir “escritores ainda vivos e com obra credenciada”, segundo o mesmo responsável, o qual referiu que já há “uma ideia” sobre o autor que se pretende homenagear em 2009.



 
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PENAFIEL: Urbano Tavares Rodrigues ausente na homenagem por motivos de saúde