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sábado, 11 de outubro de 2008          
 
    A presidente da Câmara de Felgueiras disse sexta-feira no tribunal que toda a acusação do processo saco azul onde é arguida assenta numa “estratégia de poder habilmente montada" pelo seu antigo assessor, Horácio Costa.
    “É uma história triste e falsa de alguém que, com ânsia de poder, enveredou pela vingança”, sublinhou Fátima Felgueiras no período reservado às últimas declarações dos arguidos.
    “Tenho a profunda convicção de que nunca pratiquei nenhum crime enquanto presidente da Câmara”, acrescentou a edil.

    No final da sessão, José Castro, presidente do colectivo de juízes, explicou que o tribunal, atendendo à complexidade e extensão da matéria, precisa de mais cerca de um mês para lavrar o acórdão, marcando a leitura da sentença para 07 de Novembro, às 09:30.

    Fátima Felgueiras, acusada neste processo de 23 crimes, falou durante cerca de duas horas.

    A edil considerou que a tese de Horácio “era um cozinhado que tinha tudo de bombástico, através da instrumentalização da comunicação social”.

    Segundo a autarca, o seu antigo assessor, com as denúncias que foi protagonizando no início do processo, apenas pretendia alcançar o seu principal objectivo, que era ser presidente da Câmara, contando para tal com o apoio do seu cunhado e chefe de gabinete da presidência, António Bragança, e do seu irmão Orlando Costa, ex-líder do grupo parlamentar do PS na Assembleia Municipal.

    “Horácio nunca foi uma pessoa da minha confiança e isso é que lhe deu cabo da cabeça”, considerou.

    Fátima Felgueiras fez, por outro lado, um auto-elogio, afirmando que à data dos factos era considerada uma autarca-modelo em Portugal e que até era prestigiante para os governantes de então visitarem Felgueiras.

    A presidente da Câmara insistiu que sempre disse a verdade ao tribunal, explicando que não pode sentir qualquer arrependimento porque não cometeu qualquer ilícito criminal.

    Fátima Felgueiras disse estar convencida de que a Polícia Judiciária (PJ) foi permanentemente enganada por uma versão falsa que foi contada a conta-gotas por Horácio Costa.

    Criticou ainda as sucessivas fugas de informação da PJ, “utilizadas para notícias bombásticas”, adiantando que até lhe chegaram a entregar um relatório da polícia de investigação criminal antes desse ser remetido ao Ministério Público.

    Apesar dos pedidos do presidente do Colectivo para que fosse mais sintética, a autarca procurou rebater vários pontos da acusação, insistindo que sempre o seu comportamento respeitou o que determina a lei, na defesa dos interesses de Felgueiras.

    Fátima Felgueiras voltou a negar conhecimento da conta bancária que, segundo a acusação, financiou a sua campanha autárquica de 1997, que ficaria conhecida como saco azul.

    “É tudo uma tramóia”, comentou a propósito da conta, dizendo-se revoltada.

    A presidente lembrou no final que tem 54 anos de vida e que “nunca a monstruosidade que foi montada contra si será reparada”.

    Apelando à sua absolvição, considerou que só assim será reposta a sua honra.

    O procurador Pinto Bronze pediu, durante as alegações finais a condenação da presidente da Câmara de Felgueiras a uma pena de prisão não inferior a sete anos pela prática de 12 crimes.

    Artur Marques, advogado da autarca pediu a sua completa absolvição, alegando que não ficaram provados em audiência os factos de que está a acusada.



 
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FELGUEIRAS/SACO AZUL: Fátima diz que o processo "assenta numa estratégia de poder" do ex-vereador