Os mercados europeus e americanos tiveram hoje uma sexta-feira negra, com os índices bolsistas a fecharem em forte queda, depois de uma das mais negras semanas dos mercados internacionais que termina com a reunião dos G-7.
"É o pânico, as pessoas estão a vender até as vacas sagradas", disse um director de vendas da casa de mercados "Global Equities", Xavier de Villepion.
Nem as baixas das taxas de juro e as injecções de liquidez anunciadas pelos bancos centrais, nem os fundos públicos aplicados no resgate de bancos em dificuldades e as garantias de depósito dadas pelos governos, estão a conseguir acalmar a agitação que se tem generalizado.
No seguimento da forte queda na abertura das bolsas de Wall Street e Tóquio, as praças europeias acentuaram ainda mais as perdas e fecharam em baixa, com Londres a perder 8,85 por cento e Frnkfurt a cerder 7,01 por cento.
Paris perdeu 7,73 por cento naquela que foi a pior semana de sempre (-22,16 desde segunda-feira).
As principais praças financeiras tiveram resultados dignos da definição informal de 'crash' - uma baixa que atingiu em alguns dias 20 por cento - e que justificam comparações com as crises de 1929 e 1987.
Outros mercados europeus - de Madrid a Amsterdão e de Lisboa a Atenas - atingiram perdas semelhantes, enquanto Moscovo optou por não abrir o RTS e o Micex.
Nos Estados unidos, a bolsa de Nova Iorque seguia esta tarde no vermelho com o Dow Jones a perder 4 por cento e o Nasdaq 3,5 por cento.
Agora que a crise financeira ameaça prolongar a recessão económica e aumentar o desemprego, o presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, tenta tranquilizar os actores económicos internacionais convidando-os a rejeitar "a incerteza e o medo" enquanto apetrecha as autoridades americanas com meios de combate à crise.
Esta noite, os ministros das Finanças e os governadores dos Bancos Centrais dos G-7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, japão e Reino Unido) reunem-se hoje em Washington para tentar encontrar soluções para a crise.
Para conter os movimentos especulativos que acentuam a instabilidade dos mercados, a autoridade que regula a bolsa italiana tomou uma medida radical ao interditar as transações a descoberto (short selling) até final de Outubro. A Dinamarca seguiu o mesmo caminho.
Mas estas são acções pontuais.Enquanto os Estados Unidos aprovaram o plano Paulson, os europeus ainda não têm plano conjunto, preferindo medidas nacionais e casuais.
Apesar disso, as autoridades alemãs, que inicialmente rejeitaram um plano de salvação global dos bancos, abriram agora a porta a uma harmonização europeia. "É preciso parar com as soluções caso a caso", disse o ministro alemão das finanças,Peer Steinbrück.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apelou a que outros países sigam o plano "revolucionário" do Reino Unido, que visa garantir a segurança do sistema bancário, em vez de nacionalizações parciais.
O chefe do governo espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, pediu a Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da União Europeia, que reuna "de emergência os chefes de Estado e de Governo do Eurogrupo" para uma "acção forte e consertada" face à crise financeira.
A crise do crédito afecta já os sectores construção e automóvel, que começam a destrir empregos tanto nos Estados Unidos como na Europa, e a paralisia do mercado interbancário pode também provocar falência de empresas.
Pela primeira vez em 17 anos, os Estados Unidos assistiram a uma retracção do consumo no terceiro trimestre.
Depois da reunião dos G-7 e de uma provável dos G-8, que junta aos sete países mais industrializads do mundo a Rússia, Washington acolhe a partir de sábado reuniões dos G-20, que junta os ministros das Finanças e governadores dos Bancos Centrais dos países mais ricos os seus pares dos países emergentes, e uma outra reunião entre o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.