O principal denunciante do caso saco azul de Felgueiras e antigo assessor da presidente Fátima Felgueiras na Câmara local, Horácio Costa, reafirmou sexta-feira ao tribunal que a sua versão dos factos corresponde à verdade.
“Nunca houve da minha parte qualquer tentativa de enganar o tribunal. Tudo o que disse é a mais pura e absoluta verdade”, afirmou.
Horácio Costa, que falava no período reservado às últimas declarações dos arguidos, negou também que alguma vez tenha tentado condicionar as investigações da Polícia Judiciária (PJ) – uma tese avançada por vários advogados neste processo.
Considerou ainda que alguns defensores de outros arguidos, nomeadamente os advogados de Fátima Felgueiras e do antigo presidente da autarquia, Júlio Faria, tentaram, durante as alegações finais, denegrir a sua imagem, lançando confusões sobre as suas declarações.
“A minha versão dos factos, ao longo dos anos, sempre foi a mesma. Há aqui uma vontade intrínseca de me envolver nestes assuntos para que eu seja um elo de uma cadeia à qual nunca pertenci”, insistiu.
Horácio Costa reafirmou que não está neste processo por uma questão de vingança – outra tese da defesa de alguns arguidos.
“Eu estive aqui no campo de batalha e dei o corpo às balas. Eles [advogados] estiveram nas trincheiras e pedem agora a vitória na secretaria”, enfatizou ao colectivo.
O arguido disse não perceber porque responde neste processo pela prática de dois crimes de participação económica em negócio, afirmando que quando recebeu o dinheiro da empresa Resin, mais tarde encaminhado para o saco azul, estava a cumprir ordens da presidente da Câmara e desconhecia o eventual ilícito criminal que estaria por detrás da situação.
“Não cometi nenhum crime porque não agi maliciosamente”, acrescentou.
Horácio pediu a sua completa absolvição para poder recuperar o que perdeu ao longo dos oito anos que dura este processo.
Nas alegações finais deste processo, o procurador Pinto Bronze pediu ao Colectivo a condenação da presidente da Câmara de Felgueiras a uma pena de prisão não inferior a sete anos pela prática de 12 dos 23 crimes por que responde neste julgamento.
José Castro, presidente do colectivo de juízes, explicou na audiência que, atendendo à complexidade e extensão da matéria, precisa de mais cerca de um mês para lavrar o acórdão, tendo marcado a leitura da sentença para 07 de Novembro, às 09:30.