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sábado, 11 de outubro de 2008          
 
    O principal denunciante do caso saco azul de Felgueiras e antigo assessor da presidente Fátima Felgueiras na Câmara local, Horácio Costa, reafirmou sexta-feira ao tribunal que a sua versão dos factos corresponde à verdade.
    “Nunca houve da minha parte qualquer tentativa de enganar o tribunal. Tudo o que disse é a mais pura e absoluta verdade”, afirmou.
    Horácio Costa, que falava no período reservado às últimas declarações dos arguidos, negou também que alguma vez tenha tentado condicionar as investigações da Polícia Judiciária (PJ) – uma tese avançada por vários advogados neste processo.

    Considerou ainda que alguns defensores de outros arguidos, nomeadamente os advogados de Fátima Felgueiras e do antigo presidente da autarquia, Júlio Faria, tentaram, durante as alegações finais, denegrir a sua imagem, lançando confusões sobre as suas declarações.

    “A minha versão dos factos, ao longo dos anos, sempre foi a mesma. Há aqui uma vontade intrínseca de me envolver nestes assuntos para que eu seja um elo de uma cadeia à qual nunca pertenci”, insistiu.

    Horácio Costa reafirmou que não está neste processo por uma questão de vingança – outra tese da defesa de alguns arguidos.

    “Eu estive aqui no campo de batalha e dei o corpo às balas. Eles [advogados] estiveram nas trincheiras e pedem agora a vitória na secretaria”, enfatizou ao colectivo.

    O arguido disse não perceber porque responde neste processo pela prática de dois crimes de participação económica em negócio, afirmando que quando recebeu o dinheiro da empresa Resin, mais tarde encaminhado para o saco azul, estava a cumprir ordens da presidente da Câmara e desconhecia o eventual ilícito criminal que estaria por detrás da situação.

    “Não cometi nenhum crime porque não agi maliciosamente”, acrescentou.

    Horácio pediu a sua completa absolvição para poder recuperar o que perdeu ao longo dos oito anos que dura este processo.

    Nas alegações finais deste processo, o procurador Pinto Bronze pediu ao Colectivo a condenação da presidente da Câmara de Felgueiras a uma pena de prisão não inferior a sete anos pela prática de 12 dos 23 crimes por que responde neste julgamento.
 
    José Castro, presidente do colectivo de juízes, explicou na audiência que, atendendo à complexidade e extensão da matéria, precisa de mais cerca de um mês para lavrar o acórdão, tendo marcado a leitura da sentença para 07 de Novembro, às 09:30.



 
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FELGUEIRAS/SACO AZUL: Horácio Costa reafirma que sempre falou verdade ao tribunal e às autoridades