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domingo, 26 de outubro de 2008          
 
    Renato Sampaio foi sábado à noite reeleito presidente da distrital do Porto do PS com uma "vitória expressiva" contra Pedro Baptista e Eduardo Saraiva, numa acto eleitoral em que obteve mais de 85 por cento dos votos.
    Com 5.100 votos, Renato Sampaio obteve 86 por cento dos votos expressos, enquanto Pedro Baptista conseguiu 10 por cento (642 votos) e Eduardo Saraiva 4 por cento (232 votos).

    No momento da vitória, que dedicou nomeadamente "ao secretário-geral do partido e primeiro-ministro, José Sócrates", Renato Sampaio deixou o aviso de que a partir de agora é "presidente de todos os militantes do partido" que, sem excepção, "não podem andar na praça pública a martirizar o partido".

    Pouco antes havia já pedido que no congresso distrital a realizar dentro de 15 dias, que espera que seja "vivo", haja um debate "um bocadinho mais elevado do que durante a campanha".

    As "indirectas" foram directamente para Pedro Baptista, que durante a campanha eleitoral, quer em cartas abertas quer em declarações públicas, fez violentas acusações a Renato Sampaio, a quem acusou de ser uma mera "caixa de ressonância" da direcção central do partido e de ter preparado uma "chapelada" para o acto eleitoral de sábado.

    Os resultados alcançados por Renato Sampaio, "numas das eleições mais participadas de sempre no PS/Porto, com o voto de seis mil dos cerca de sete mil militantes com condições para tal", levaram Renato Sampaio a sublinhar que "os militantes fizeram uma escolha clara".

    Questionado sobre a sua disponibilidade para coligações eleitorais nas eleições autárquicas - Pedro Baptista afirmou que, caso eleito, iria contra a orientação nacional do PS de avançar sozinho e promoveria uma "ampla coligação de esquerda" à Câmara do Porto - Renato Sampaio recordou que para tal "são precisos parceiros, que até agora não surgiram".

    "O PS é o maior partido nacional, não pode andar aqui a defender coligações para depois vir um partido com menos de dois dígitos em termos eleitorais dizer que não", sublinhou.

    O líder reeleito remeteu a questão das autárquicas para depois do congresso distrital de meados de Novembro, reafirmando que competirá às concelhias decidir, em primeira instância, os melhores nomes para avançar mas acrescentando que "há naturalmente já muito trabalho feito".

    Pedro Baptista admitiu que não conseguiu alcançar "os máximos" a que se propunha, que passariam por vencer a federação, mas salientou que "os mínimos foram largamente ultrapassados".

Candidato derrotado recusa
dar os parabéns ao vencedor

    Por "mínimos" Pedro Baptista entende a eleição do número de delegados ao congresso distrital suficientes para apresentar uma lista à Comissão Política Distrital (CPD).

    "A partir de agora a CPD deixará de ser unânime e passará a ser plural. Funcionará a duas vozes e uma delas é a nossa", afirmou o candidato, que se recusou a dar os parabéns ao vencedor enquanto este não aceitar um debate consigo.

    "Dar os parabéns é um acto democrático e a democracia exige debate. Renato Sampaio recusou qualquer debate durante toda a campanha. Dou-lhe os parabéns quando ele aceitar um", disse, adiantando que pretende promovê-lo no congresso distrital.

    Mas Pedro Baptista não poderá protagonizar pessoalmente esse debate em congresso visto não ter concorrido a delegado - aliás na secção onde milita, a da Foz, a sua lista não elegeu nenhum delegado.

    Reafirmou a sua intenção de defender nos órgãos do partido a "ampla coligação de esquerda" e disse não aceitar "num partido democrático que uma pessoa possa sozinha determinar como as coisas acontecem apenas por causa dos seus complexos de direita".

    Sem reafirmar abertamente a acusação de que o acto eleitoral foi alvo de uma "chapelada", Pedro Baptista sublinhou a "discrepância regional dos resultados, que variaram substancialmente entre os sítios onde tínhamos fiscais e aqueles onde não os tínhamos".

    "Deixo um recado a Alberto Martins [líder parlamentar do PS], que conhece a realidade da vida interna partidária, para que na nova lei dos partidos que anda a promover os transforme em bastiões da democracia".

    A lista de Renato Sampaio elegeu 418 delegados, enquanto a de Pedro Baptista conseguiu 33 e a de Eduardo Saraiva sete.

 
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PARTIDOS/ELEIÇÕES: Renato Sampaio reeleito líder do PS/Porto com 86% dos votos