O partido ecologista "Os Verdes" quer ter acesso aos relatórios finais dos acidentes na linha do Tua e requereu ao Ministério das Obras Publicas, Transportes e Comunicações o envio dos documentos para a Assembleia da República, divulgou hoje o grupo parlamentar.
Para "Os Verdes", os sucessivos acidentes com gravidade, quatro em um ano e meio de que resultaram quatro mortes, "suscitam grande preocupação e apreensão e justificam o acompanhamento parlamentar".
"Entendemos que as vítimas, seus familiares, populações que estão na área da linha e autarcas dos concelhos servidos pela mesma têm o direito ao cabal esclarecimento de toda a verdade relativamente aos insólitos acidentes que ali tê vindo a ocorrer", refere em comunicado enviado à Lusa.
O partido já tomou várias iniciativas parlamentares, nomeadamente solicitando a presença do ministro Mário Lino no Parlamento, e não entende "o que é que tem o Ministério a esconder ou a recear e porque razão não torna públicos os resultados e o conteúdo integral dos relatórios em causa".
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, prometeu, este fim-de-semana, em Matosinhos, que os relatórios das comissões de inquérito ao acidente deverão estar disponíveis a partir de hoje na Internet para consulta, o que ainda não tinha acontecido até ao início da tarde.
O ministro recebeu quarta-feira os documentos que, segundo disse, apontam várias razões que, na sua conjugação, contribuíram para o descarrilamento da carruagem com 47 passageiros a bordo, a 22 de Agosto, provocando um morto e dezenas de feridos.
O ministro não avançou mais pormenores, especificando apenas que "essas razões têm a ver com a própria infraestrutura, ou seja, com a linha, e também com o tipo de material circulante que poderá ter de sofrer ajustamentos ao tipo de linha".
O ministro determinou que nos próximos 30 dias sejam estudadas medidas correctivas e de segurança que permitam a reabertura em segurança da linha, que se mantém encerada entre o Cachão e o Tua.
Dos quatro acidentes ocorridos na linha, apenas são conhecidas as conclusões dos inquéritos a dois, que resultaram do desabamento de terras ou pedras.
Os documentos estão disponíveis no sítio da Internet da Refer, a proprietária da linha, e dizem respeito ao acidente mais grave e primeiro desta sucessão, o de 12 de Fevereiro de 2007, em que morreram três pessoas.
O segundo envolveu um dresina, um veículo de inspecção da segurança da linha, que descarrilou ao passar num troço da via danificado por queda de pedras, provocando ferimentos em três colaboradores da equipa.
Por esclarecer continua o acidente de 06 de Junho de 2008, em que uma automotora descarrilou, provocando dois feridos ligeiros entre os passageiros, em circunstâncias idênticas ao último acidente de 22 de Agosto.