As chegas de bois que se realizam periodicamente em Montalegre atraem milhares de pessoas e são um espectáculo mais apreciado do que um jogo de futebol.
As chegas de bois são uma tradição já muito antiga em alguns concelhos de Trás-os-Montes, mas é em Montalegre onde tem mais expressão.
David Teixeira, director do Ecomuseu do Barroso, disse que as chegas de bois continuam a ser um “desporto de massa” em Montalegre.
“Chegamos a ter três a quatro mil pessoas a assistir a uma chega. Não há nenhum jogo de futebol que junte tanta gente”, afirmou o responsável, que falava à margem do congresso internacional “Combates de Animais”, que decorreu em Montalegre.
Apesar de os últimos anos terem ditado praticamente o fim do “Boi do Povo”, David Teixeira referiu que as pessoas continuam a “identificar-se com o boi da sua aldeia”.
O “Boi do Povo” era um animal comunitário, tratado e alimentado por toda uma comunidade, que depois representava essa aldeia nas chegas de bois.
José Martins, produtor da aldeia de Paredes, concelho de Montalegre, está já a preparar o seu “Barroso” para o próximo campeonato de chegas de bois, que a autarquia e a Associação Etnográfica “O Boi do Povo” realizam anualmente.
“Agora estou a treiná-lo com outros bois, alimentá-lo para ganhar corpo e ambientá-lo aos automóveis para depois não se assustar”, explicou à Lusa.