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quarta-feira, 29 de outubro de 2008          
 
    José Manuel Durão Barroso inicia sábado o seu último ano do actual mandato na presidência da Comissão Europeia bem posicionado para se manter no lugar mais cinco anos, apesar das dificuldades levantadas pela crise económica.
    Para Durão Barroso será o ano de todos os desafios em que terá de enfrentar dificuldades que não tinha previsto inicialmente.
    A crise económica que irá implicar uma diminuição do crescimento económico e um aumento do desemprego na Europa poderá levar a fricções com vários Estados-membros de grande dimensão que, numa altura de dificuldades, pretendem proteger o seu mercado nacional e apoiar os seus agentes económicos contra as regras do Mercado Interno europeu.

    A resolução do impasse na ratificação do Tratado de Lisboa depende da Irlanda conseguir encontrar uma saída, até ao fim do corrente ano, para o agonizar da crise institucional europeia a que condenou os 27 quando o país chumbou, em referendo, a aprovação desse acordo visto como capital para o bom funcionamento da UE no futuro.

    Durão Barroso fez uma aposta muito arriscada ao investir numa série de objectivos de luta contra o aquecimento global que irá permitir a Europa liderar nesta área, mas que enfrenta dúvidas crescentes por parte de alguns Estados-membros com receio do seu custo financeiros numa altura de crise.

    O director de estudos do Centro de Política Europeia (EPC), Antoni Missiroli, é da opinião que Durão Barroso é neste momento o candidato "mais forte" à sua sucessão, com boas perspectivas de receber o apoio oficial da sua família política europeia do PPE, a mais importante do Parlamento Europeu.

    Os líderes de "grandes" Estados-membros como a França, Itália e Alemanha já indicaram que em Dezembro próximo deverão chegar a acordo para que Durão Barroso seja o candidato do PPE e mesmo o governo socialista espanhol já manifestou a intenção de apoiar o português.

    Mas nos próximos meses, Durão Barroso terá de responder ao desafio lançado por países, como a França e a Itália, que pretendem apoiar a sua indústria nacional com ajudas que se arriscam a distorcer as condições normais de concorrência impostas pelas regras do Mercado Interno dos 27.

    "Barroso vai tentar navegar entre os que querem excepções [às regras europeias] e os que não as querem", sublinha Missiroli.

    Fontes diplomáticas também ouvidas pela Lusa concordam que Durão Barroso vai ter de "enfrentar a contestação" de alguns países e "assumir riscos", mas a actual crise financeira e económica justificam a "flexibilização" da forma como a Comissão Europeia verifica o respeito das leis comunitárias.

    Ao longo dos últimos quatro anos Durão Barroso defendeu sempre a necessidade de uma "Europa dos resultados" e é isso que ele irá tentar mostrar antes das eleições para o Parlamento Europeu de Junho de 2009.

    Os primeiros anos de Barroso em Bruxelas foram marcados por uma série de contrariedades.

    A menos de uma semana de entrar em funções em finais de Outubro de 2004, Barroso foi forçado a retirar de votação no Parlamento Europeu a sua equipa inicial de comissários europeus.

    O presidente do executivo comunitário foi obrigado a substituir o comissário de nacionalidade italiana, Rocco Buttiglione, depois deste ter feito declarações polémicas.

    O caso levou a um atraso de três semanas da entrada em funções do novo colégio de comissários europeus em relação à data prevista inicialmente, 01 de Outubro de 2004.

    Ainda no primeiro ano do novo executivo, Durão Barroso teve de enfrentar o chumbo da Holanda e França ao Tratado Constitucional que depois foi substituído pelo Tratado de Lisboa que se mantém num impasse.
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UNIÃO EUROPEIA: Durão Barroso bem posicionado para ficar mais cinco anos na presidência