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quarta-feira, 29 de outubro de 2008          
 
    A família da vítima mortal do acidente de 22 de Agosto na linha do Tua ainda não recebeu qualquer indemnização nem foi contactada por ninguém nos últimos dois meses, disse à Lusa uma familiar.
    Rosa Barros perdeu a única irmã, Olema, neste acidente e os resultados do relatório final do inquérito não vieram apaziguar a "dor e revolta".
    Estava a trabalhar terça-feira de manhã quando alguém a chamou para ouvir a notícia das causas do acidente que lhe levou a irmã.

    Fala-se de "defeitos grosseiros" na linha e automotoras desadequadas, mas Rosa continua sem resposta para a pergunta que a assalta insistentemente nos últimos dois meses: "porquê".

    "Porque é que foi a minha irmã, porque é que foi naquela dia e não no dia anterior quando ia na automotora a secretária de Estado (dos Transportes), porque é que não foi o comboio que tinha passado antes?

    Rosa Barros só tem perguntas sem respostas e ainda não conseguiu colocá-las a quem de direito porque, segundo disse à Lusa, depois do acidente ninguém mais contactou a família.

    "Nem sequer querem saber se o filho tem de comer", desabafou referindo-se ao único filho que Olema deixou, de 23 anos, que continua em Mira Daire, onde sempre viveu com a mãe.

    "O pai abandonou-os tinha 14 anos, e depois de tanto trabalho e sacrifícios para que o filho pudesse tirar o curso, tinha que lhe acontecer isto", contou.

Familiares indignados com o silêncio das autoridades
e da REFER/CP


    A família é natural de uma aldeia do concelho transmontano de Vimioso, mas há muitos anos que Olema estava fora e nunca tinha viajado na linha do Tua.

    A primeira viagem que fez, por proposta de uma amiga, que tinha vindo passar férias à região, foi fatal para Olema, de 47 anos, a única vítima mortal do descarrilamento da automotora, que provocou ainda quatro feridos graves e 39 ligeiros, entre os 47 ocupantes.

    Um dos quatro feridos graves deste acidente foi uma das gémeas filha da amiga de Olema que depois de 15 dias de internamento recuperou, embora ainda hoje ela e a irmã, que também viajava no comboio, continuem a ser acompanhadas por um psicólogo.

    O pai de Rosa e Olema tem 76 anos e vive sozinho na aldeia com a perda da mulher e da filha num espaço de quatro anos.

    Rosa deixou de andar com telemóvel desde a morte da mãe, porque "cada vez que tocava era sempre para más notícias".

    Fartou-se de gastar moedas na manhã do acidente no Tua porque teve "um mau palpite tão grande" que a fez tentar contactar insistentemente a irmã e a amiga.

    Começou a ficar cada vez mais ansiosa, até que lhe chegou, através de conhecidos a notícia do acidente na linha do Tua.

    O filho e o sobrinho "partiram logo para Mirandela" mesmo sem nada saberem sobre Olema, mas quando chegaram ao hospital confirmaram-se os piores receios.

    "Foi muito bonito ir lá - o ministro dos Transportes, Mário Lino- ao funeral entregar flores, mas não é isto que traz a minha irmã de volta", diz.

    A família tem estado "à espera" do desenvolvimento do processo e vai agora reunir-se para decidir o que fazer, nomeadamente se avança para os tribunais.

    A Rosa "pouco importa" o que diz o relatório final, não entende é como "aquilo (a linha) trabalhou mais de cem anos sem haver um acidente e agora de um ano para cá já houve quatro mortes".
 
 
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TUA/ACIDENTES: Entidades oficiais ignoram os familiares de vítima mortal do acidente de Agosto   (ACT)