O presidente da Câmara de Amarante, Armindo Abreu (PS), considerou “completamente incompreensível" a suspensão das obras de eletrificação da Linha do Douro e de modernização da Linha do Tâmega.
“Estou estupefacto com a decisão porque havia compromissos solenes de membros do anterior Governo. Vou pedir com caráter de urgência uma audiência com o senhor ministro das Obras Públicas para lhe manifestar o nosso profundo descontentamento”, afirmou o autarca socialista.
Contactada pela Lusa, a assessoria de imprensa do Ministério das Obras Públicas esclareceu que, devido às limitações orçamentais impostas pelo Programa de Estabilidade e Crescimento, a tutela recomendou às empresas públicas do setor para que enviassem os novos planos de investimento, pelo que todas as obras previstas aguardam novas orientações.
Armindo Abreu disse que a eletrificação da Linha do Douro e a modernização da Linha do Tâmega foram suspensas, não se prevendo quando as empreitadas possam ser reexaminadas.
“Confirmaram-se as nossas piores suspeitas”, observou o autarca, comentando algumas notícias recentes que apontavam para a possibilidade de serem suspensas as referidas obras.
No caso da Linha do Douro ficou suspensa a eletrificação do troço entre Caíde (Lousada) e o Marco de Canaveses.
Quanto à Linha do Tâmega, entre a Livração (Marco) e Amarante, cuja circulação está suspensa há cerca de um ano, ficam comprometidos os trabalhos de reforço da segurança, mantendo-se assim a linha encerrada, adiantou o presidente da Câmara de Amarante.
Armindo Abreu manifestou o seu desconforto por este impasse, sobretudo porque, alega, os autarcas não foram ouvidos.
“Compreendo as dificuldades do país. Mas podia-se, em articulação com as câmaras, eventualmente, tentar uma nova calendarização das obras, o que não foi feito. Isto é inadmissível”, vincou.
“Como vamos explicar isto agora aos amarantinos?”, questionou, lembrando o compromisso em Amarante da anterior secretária de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino de que o levantamento dos carris não significava o fim da Linha do Tâmega.
“Se era para acontecer isto, para que levantavam os carris?”, interrogou.
Para o autarca, a suspensão deste tipo de obras, enquanto outras se mantêm nas grandes cidades, nomeadamente o Metro de Lisboa, “compromete a coesão nacional”.
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
AMARANTE: Suspensão de obras nas linhas do Tâmega e Douro é 'incompreensível'
quinta-feira, 22 de julho de 2010