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16 de abril de 2008
 
A imagem sombria do fumador
Numa época em que deixar de fumar é um verdadeiro fenómeno social, em que se discutem estratégias para interditar o fumo do tabaco em locais públicos e no trabalho, em que se promove o direito a não ser molestado pelo fumo dos outros (a não ser fumador passivo, em suma) e em que se revêem as estratégias para a desabituação tabágica, vale a pena analisar como se pode contar com o aconselhamento farmacêutico para abandonar o vício do tabaco.
Aliás, em meio escolar procura-se persuadir os jovens com a consigna “o melhor é não fumar” ao abrigo dos estilos de vida saudáveis e de uma comunicação dos educadores para que a decisão do jovem seja a de recusar a habituação tabágica em nome dos valores mais prezados (liberdade, saúde, ambiente limpo...).
Os media, que tanto promoveram a imagem do fumador (no cinema era o herói e a vamp sempre a puxar por um cigarro, a publicidade conotava o sucesso com a marca de cigarros, as vedetas televisivas apareciam em público exibindo cigarreiras, boquilhas e isqueiros...) agora noticiam o pesadelo que se abate sobre o fumador, cada vez mais confinado a fumar em privado e às escondidas, perseguido pelas exigências da lei que a todo o momento invoca as razões da saúde pública. Compreende-se, pois, porque é que está na ordem do dia esta disposição para deixar de fumar.
 
Aprender a deixar de fumar
Admite-se que 30 por cento da população europeia adulta é fumadora e está sempre em risco de ter uma menor qualidade de vida, desenvolvendo as complicações inerentes ao tabaco. Se é verdade que deixar de fumar requer aprendizagem, é importante que se saiba em que é que assenta a dependência física do fumador.
Abandonar o tabaco é na maior parte dos casos a conclusão após um longo processo de reflexão ou amadurecimento. É possível deixar de fumar para sempre e todos os fumadores conhecem pessoas que tiveram sucesso em acabar com o cigarro. É tudo uma questão de vontade e saber-fazer, recorrendo, se necessário, a métodos que são hoje relativamente acessíveis, como sejam os substitutos da nicotina, terapias e métodos alternativos. O importante é destacar que não há um método padrão já que cada fumador tem o seu ritmo para se libertar do tabaco e vencer a dependência.
Costuma-se dizer que um fumador, mesmo quando abandona o vício, ficará toda a vida dependente da nicotina. É por esta razão que aqueles que abandonam com êxito o tabagismo não deverão voltar a pegar num cigarro, pois fica-se sempre em risco de regressar a esta dependência que tanto esforço custou para conseguir abandonar. Recorde-se que raramente se abandona o tabaco à primeira tentativa, é por isso que se recomenda insistência e persistência, o mesmo é dizer que se tente deixar de fumar todas as vezes que se sinta vontade de renunciar ao tabagismo. A preparação psicológica é determinante para o sucesso.
Por último, é preciso ter conhecimento que um ex-fumador está sujeito a recaídas. A primeira pode surgir no terceiro mês após o abandono. A recaída ao fim de um ano é muito comum e por vezes pode ocorrer mais tardiamente. A prevenção destas recaídas passa por saber as alturas mais propícias para que nesses períodos não se toque no tabaco, mesmo que se esteja convencido de se ter superado a dependência. Para resistir melhor é conveniente que o ex-fumador conheça os sinais ou sintomas que sente nos seus primeiros tempos sem tabaco. A síndroma da prevenção tabágica (isto é, a falta de nicotina no organismo) provoca, entre outros, os seguintes sintomas: alteração de humor ou humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, sensação de frustração, dificuldade de concentração, agitação, aumento de apetite ou desejo incontrolável de fumar.
 
Mudar de atitude, melhorar a qualidade de vida
O tabagismo provoca por parte do organismo uma tolerância às substâncias inaladas que por sua vez desencadeia uma necessidade de uma maior quantidade de nicotina para atingir o efeito desejado. Fica-se momentaneamente saciado mas a necessidade está sempre a bater à porta. Há a dependência física mas há também a dependência comportamental e psicológica. O comportamento, todo ele é afectado por puxar o cigarro, acendê-lo, inalar o fumo, expeli-lo, a falsa energia que ele oferece, a distensão a que aparece associado.
Há temores ligados ao deixar de fumar: é o caso de engordar. Nos primeiros meses é natural que haja aumento de peso como resultado não só da melhoria do olfacto e do paladar e aumento do apetite, mas também pela ausência da nicotina que deixa de exercer o seu efeito acelerador do metabolismo. Para quem está atento, é possível normalizar o peso em poucos meses, habituando-se a beber mais água, a seleccionar alimentos menos gordurosos, a mastigar bem, a tomar um bom pequeno almoço para evitar os petiscos ao longo do dia, a privilegiar os alimentos ricos em glúcidos complexos, a ter uma verdadeira actividade física.
Como se compreenderá, as bebidas alcoólicas ( muito ricas em calorias) são de evitar. Assim, o almoço e o jantar devem iniciar-se com sopa de legumes, comer-se pausadamente mastigando bem os alimentos. Será de evitar comer sobremesa às refeições, distribuindo essas calorias por pequenas refeições ao longo do dia. Andar a pé, fazer ginástica de manutenção, usar mais vezes a bicicleta, tudo são bons meios para prevenir o aumento de peso.
 
Os substitutos da nicotina
A grande dificuldade do abandono do tabagismo pode ser ultrapassada com o auxílio de medicamentos apropriados, alguns dos quais podem ser adquiridos nas farmácias sem receita médica. Estamos a falar de pensos nicotínicos, comprimidos de acção prolongada, pastilhas, inaladores que dispensam ao organismo uma quantidade variável de nicotina que reduz a sensação de carência. Estes tratamentos, de acordo com diferentes estudos científicos independentes têm uma moderada eficácia mas que é efectiva. Como medicamentos que são também têm reacções adversas, caso de alergias cutâneas, perturbações do sono, irritação da boca, por exemplo. Há pensos nicotínicos disponíveis nas farmácias e alguns deles não requerem receita médica.
Há um conceito generalizado de que estes pensos podem ser prejudiciais para o coração. No entanto, eles só serão prejudiciais se a pessoa se mantiver a fumar e fazer o tratamento pois então a quantidade de nicotina a chegar ao sangue será muito maior. O tabaco é muito mais prejudicial do que os pensos nicotínicos, desde que se escolha convenientemente a dose.
Mais recentemente, está a ser utilizada uma substância anti-depressiva, a bupropiona, que requer receita médica: é um tratamento que deve ser acompanhado pelo médico e não se deve prolongar por muito tempo. Este tratamento tem a particularidade de permitir a manutenção do fumo durante a primeira semana do tratamento, mas se não se observar melhorias nas primeiras semanas, este tratamento deve ser abandonado. A receita médica está relacionada com algumas precauções que devem ser tidas em conta no tratamento.
Nos centros de desabituação tabágica, para além destes medicamentos, poderão ser propostas terapias doces e até ajudas como a hipnose e terapias de grupo. No entanto, são os tratamentos de substituição da nicotina os que apresentam melhores resultados.
Há casos em que as pessoas conseguem abandonar o tabaco apenas com o auxílio de um calmante que irá reduzir a ansiedade e a irritabilidade habituais.
Quem esteja decidido a deixar de fumar pode seguir algumas sugestões úteis, a saber: estabelecer uma data para dar início a este processo; informar os amigos e as pessoas que nos rodeiam acerca de tal decisão, pedindo ajuda; não permanecer em ambientes de fumo; se um café estimular a vontade de fumar, reduzir ou evitar tal consumo; fazer desaparecer os cinzeiros, etc.
 
Recorra também ao aconselhamento farmacêutico
Quando entra na sua farmácia, certamente que já reparou que há brochuras que lhe recordam que a melhor opção de saúde é deixar de fumar. Este material à sua disposição recorda-lhe que o tabagismo é a principal causa de morte e doença evitáveis e que há boas razões para deixar de fumar. O farmacêutico pode ser um precioso auxiliar para o ajudar a deixar de fumar, colaborando através de conselhos úteis, dialogando para manter a motivação em continuar a ser não fumador.
Ao dialogar com o seu farmacêutico (que por sua vez está permanentemente informado sobre as novas tendências para a cessação tabágica) obtenha informação isenta sobre os métodos e medicamentos que o podem auxiliar a fazer uma escolha esclarecida ou a manter a sua determinação como ex-fumador. Informe igualmente o farmacêutico sobre o seu grau de dependência, a existência de doenças e a toma de medicamentos.
 
 
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